quarta-feira, 29 de julho de 2015

II Plenária Livre de Conselhos Regionais de Saúde e Movimentos Sociais. Região Oeste Ceilândia e Brazlândia DF.


Os Conselhos Regionais de Saúde da Região Oeste do Distrito Federal, reuni-se no dia 18 de Julho às 15h, com membros do Comitê da Marcha de mulheres Negras, o Movimento Negro Unificado, Secretaria Regional de Educação, UNB, representantes dos movimentos: Negro Sou, Jovem de Expressão, Coletivo Cerrado Central, Rede Brasil Mulher, MAMI, representantes das artesãs Rainhas Coroadas e os Conselhos Regionais do N. Bandeirante, Riacho Fundo I e o Conselho de Saúde do DF. O encontro aconteceu no Coreto da Praça do Cidadão na Ceilândia, com o tema: Racismo Faz mal a Saúde? A presidente do CRS do N. Bandeirante e também coordenadora do Fórum de Conselhos Regionais do DF, Maura Lúcia, abriu a roda de conversa agradecendo a presença de todos lembrou que todo o diálogo irá constar em um documento para ser encaminhado a XV conferência Nacional de Saúde e a Marcha Nacional de Mulheres Negras. Logo após passou a palavra a presidente do Conselho Regional da cidade sede, Sra. Andrecinda que se lembrou dos diversos grupos de movimentos Sociais na cidade e que este seguimento não tem representação no Conselho Regional da Ceilândia, desculpou-se por não ter participado ativamente da mobilização da plenária devido problemas pessoais, disponibilizou-se para uma discussão mais ampla sobre políticas de saúde para juventude. O professor Valter pediu a palavra e informou ser de Taguatinga e que veio ao evento por curiosidade, na sua fala citou o etnocentrismo, que reverbera a sua justificativa de estar conosco, O etnocentrismo passa exatamente por um julgamento do valor da cultura do “outro” nos termos dá cultura do grupo do “eu”. Citou a “Normose” e explicou que a sociedade precisa se liberte dos seus preconceitos e da dominação, e aprender a conviver com as diferenças, que não é o mesmo que desigualdade, e saber que, aquele o diferente, necessita de aceitação e respeito. A presidente do CRS do Núcleo Bandeirante falou da Política de Branqueamento citado por Paulo Freire e outros grandes autores e fez um paralelo conosco mulheres negras, que assumiram seus cabelos crespos, mas, estão clareando, que também de forma interrogada não seria uma estratégia de minimizar a dificuldade de sermos aceitas ? O preconceito religioso foi lembrado, contra as religiões
afro-brasileiras como: Candomblé, umbanda, e nas chamadas “religiões tradicional” como Cristã, pentecostais, Assembleias de Deus entre outras, os cargos de excelência não são dados ou permitidos a negros, a mulher negra fica a cargo de afazeres de menor poder de decisão houve unanimidade na concordância da fala. Houve relato de assédio moral no trabalho e ficou claro o grau de adoecimento promovido por esta pratica e que o serviço público não trata o servidor adoecido e se for negro a coisa piora.A representante das Rainhas Coroadas afirma que seu movimento preconiza a vez e voz e por isso tem crescido, mulheres artesão buscam seu espaço para garantir renda e preservar a cultura. Relatou sua preocupação com as doenças ditas da “raça negra”, como anemia falciforme e espaços que possam ter maiores informações. A juventude fez relato e provocou a plateia afirmando: Brancos falam sobre racismo, nós negros falamos de. Afirmaram que racismo adoece, contamina e mata. Lembraram-se dos amigos assassinados, negros, pobres e esquecidos nas estatísticas e que dependendo da sua cor são abordados ou não pelos policiais. Citaram a questão da sexualidade que não é defendida e ou discutida no SUS, que as políticas públicas de saúde não dialogam com a juventude em especial a negra. Denunciaram que nas unidades de saúde da cidade, não promovem bom acolhimento e nem segurança para fazer uso do serviço, os profissionais, discriminam e não mantém sigilo após o atendimento. Uma jovem, que não quis revelar o nome nos procurou no fim do evento para relatar, que ao ser atendido no Centro de saúde próxima a sua residência, ouviu comentários do profissional sobre a jovem que foi atendida antes dela, e que por isso não contou à enfermeira o que estava sentindo. “...” sem nem saber o que eu ia falar ela já feio pagando para mim ““... A Dra. Jô advogada de descendência Quilombola reafirmou que a educação é o melhor caminho, afirma que há necessidade de mais educação em saúde. Rejane trabalha com políticas afirmativas e cita a questão do empoderamento, pelo abandono das químicas usadas nos cabelos e as alunas do CEM 02 ilustrou a fala com relatos do movimento que criaram na escola o Preto Sou, lembrou que foram discriminadas quando pararam de fazer escova no cabelo e ressaltaram a importância de ter professores capacitados para intervir nessas situações. As praticas integrativas tiveram espaços para experimentação com a representante do Cerrado central Sra. Márcia que nos brindou com uma dinâmica e foi como um abraço coletivo. Agradecemos a todos pela participação e mais uma vez infelizmente temos que afirma racismo tem feito muito mal a saúde. 

Maura Lúcia Coordenadora do FIRC/DF